O RITO ECLÉTICO OU MAÇONARIA ECLÉTICA

A franco-maçonaria como Corporação Eclética Evolutiva é uma instituição universalista que abriga as mais variadas matrizes formadas a partir de influências de inúmeras nações sem marco temporal definido. É constituída por Homens de Espiritualismo Eclético, no mais alto grau da liberdade e da inteligência, que trabalha incansavelmente em prol da Pátria, da Ordem e da Humanidade. O Sistema Eclética está contido na concepção filosófica da franco-maçonaria para os livres pensadores, espíritos criativos, defensores do exercício pacífico da liberdade e formadores de opiniões. A Sociedade Eclética dos francos-maçons usa de inúmeros símbolos e artifícios oriundos de diversas manifestações das civilizações, incorporando, em sua estrutura, crenças e culturas de todos os tempos e povos.  Podemos assim afirmar que a franco-maçonaria é uma Instituição Eclética no sentido da União Fraternal e da Fé, pois une todos os Homens que a ela se afiliam como Fraternos Irmãos, sem preocupações de etnias, crenças religiosas, nacionalidades e opiniões político-partidárias, defendendo a Liberdade de Consciência e prezando sempre pelo direito e dever de cada cidadão. A Maçonaria Eclética é um verdadeiro abrigo para Homens Virtuosos, livres de dogmas e sustentados pelos pilares: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". ​

A secular Maçonaria Eclética ou Rito Eclética nada mais é que um conjunto de tradições, costumes e regras sociais, uma síntese orientadora, uma escola de perfeição, um magistério de sabedoria, um verdadeiro professorado para os Sábios e Filósofos, Livres e Virtuosos: "Um Triângulo Perfeito".

A HISTÓRIA DO RITO ECLÉTICO

NA ALEMANHA

O BARÃO DE DITFURTH E A ORIGEM DA MAÇONARIA ECLÉTICA

Barão de Ditfurth (Franz Dietrich Von Ditfurth VII: 01 de maio de 1738, em Dankersen, Minden, Alemanha - 30 de março de 1813, Wetzlar, Alemanha)  foi um advogado, escritor, filósofo e maçom progressista. Filho de Friedrich Ludwig von Ditfurth III e Lucie Katharina Auguste von Ditfurth. Contraiu primeiras núpcias com Dorothea Konradine von Ditfurth e segundas núpcias com Johanna Marie von Ditfurth. Logrou-se em ciências sociais e jurídicas, instalando um escritório de advocacia em 1762, Wolfenbüttel, sendo nomeado assessor na Câmara de Comércio do Reich em Wetzlar em 1773. Também trilhou uma brilhante carreira jurídica e administrativa como assessor na Chancelaria de Wolfenbüttel.  Ele foi iniciado na arte real, possivelmente, no Rito da Estrita Observância, introduzido em 1761 na Alemanha, por Barão Karl Gotthelf de Hund. Este rito era baseado na suposição de que os antigos Cavaleiros Templários não foram destruídos, mas continuaram a existir secretamente na Escócia e, adjuntos às guildas de maçons, fundaram a franco-maçonaria. Com o falecimento em 1776 do Barão de Hund, ele se desliga da Estrita Observância e passa a dedicar-se à compilação de um novo rito para os maçons alemães, denominado de Rito Eclético. 

O RITO ECLÉTICO

O Sistema da Maçonaria Eclética ou Rito Eclético foi compilado nas bases do Rito Inglês Primitivo (Antigo Rito Inglês), pelo Barão de Ditfurth, à principio, com cinco graus, em Frankfurt, não prosperando como esperado num primeiro momento. Assim, o Barão de Ditfurth resolveu reformar e reestruturar o rito em parceria com Johann Karl Brönner, (Johann Ludwig Karl Brönner: 01 de julho de 1738, Frankfurt, Alemanha - 22 de março de 1812, Frankfurt, Alemanha). Instalou a Liga Eclética (União Eclética Alemã), em Frankfurt  em 1783, em parceria com seu amigo Johann Karl Brönner, atraindo assim, 27 lojas simbólicas para a formação da Liga. 

O Rito Eclético ou Maçonaria Eclética, nasceu, portanto, no seio da franco-maçonaria alemã, em Frankfurt  e Wetzlar, com a finalidade de resgatar a essência e a pureza da antiga ordem dos francos-maçons.

A REFORMA DO RITO ECLÉTICO

O Barão de Knigge, (Adolph Franz Friedrich Ludwig Knigge: 16 de outubro de 1752, Wennigsen, Alemanha - 06 de maio de 1796, Brémen, Alemanha), logo após o Congresso em Wilhelmsbad, por convite de Ditfurth, reformou o “Rito Eclético” em conformidade com as normas e diretrizes da maçonaria inglesa primitiva, transformando-a em um verdadeiro professorado filosófico. Separou os graus simbólicos  filosofismo, excluindo dos rituais as especulações do hermetismo, templarismo e ideias cavalheirescas e cabalísticas presentes nos traçados originais que não se relacionavam com a ordem dos pedreiros. Isso trouxe de volta a pureza primitiva e genuína da franco-maçonaria especulativa, restando somente a essência maçônica estabelecida conforme os antigos Landmarks e a Constituições de Anderson de 1723. 

Os graus simbólicos, para Knigge, Ditfurth e Brönner, representavam a mais pura maçonaria, um sistema de ensino que transformava homens comum em verdadeiros professores e filósofos, sendo o alicerce de toda estrutura eclética ou ainda: “A Evolução Racional da Espécie Humana”.

Há uma confusão quando da criação do Rito Eclético, muitos autores atribuem erroneamente a Knigge (1783). Vale esclarecer que o rito foi criado por Ditfurth em 1776 e não por Knigge. Este último o reformou para atender a formação da Liga Eclética Alemã em 1783 a convite de Ditfurth e Brönner

A MAÇONARIA ECLÉTICA E AS GRANDES LOJAS

DE FRANKFORT E WETZLAR

A Maçonaria Eclética se estabeleceu na Alemanha, no seio das Grandes Lojas de Frankfurt e Wetzlar, de forma a organizar Grandes Lojas Provinciais. A primeira Circular Eclética propondo a formação da Liga Eclética foi elaborada  por Brönner no dia 08 de fevereiro de 1783 e encaminhada para Dithfurt, que de imediato o nomeou juntamente com Brübern e Rüſtner, como encarregados da elaboração e redação da Circular Eclética.

As Grandes Lojas de Frankfurt e de Wetzlar, nos dias 18 e 21 de março de 1783, encaminharam Pranchas Circulares Ecléticas a todas as lojas alemãs com os quinze pontos que regulamentava a Maçonaria Eclética. Nesta prancha ficaram definidos os direitos e deveres das lojas e de cada obreiro. Na Carta Federal Eclética ficou definido em seu artigo 2º que as lojas seriam livres e independentes para adotar e praticar os altos graus da maçonaria regular sem interferência da potência simbólica.

A constituição da Corporação Eclética ou Liga Eclética dava plena independência para suas lojas trilharem a estrada da filosofia separadamente em relação à base simbólica. Assim, o Maçonaria Eclética, ou simplesmente, “Rito Eclético”, permaneceu com seus graus reformados e adaptados à franco-maçonaria especulativa regular.

Quando o maçom eclético alcançava o terceiro grau era incentivado a continuar a estudar e se aprofundar nos graus superiores (filosofismo) sendo livre para trilhar seu próprio caminho nos mistérios da Arte Real.

Johann Karl Brönner foi eleito em 1783 Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Eclética de Frankfurt, sendo Ditfurth, eleito Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Eclética de Wetzlar. A Maçonaria Eclética sobre as lideranças desses dois grandes maçons começa sua trajetória na Europa. 

A EXPANSÃO DA MAÇONARIA ECLÉTICA

O Rito Eclético se expandiu além das fronteiras de Frankfurt e Wetzlar, sendo instaladas lojas em Hamburgo e Wilhelmsbad.  ​A partir de 29 de junho de 1801, a Grande Loja de Hamburgo passou a adotar um novo rito compilado a partir das bases de rituais ecléticos por Ludwig Schröder, denominado como Rito de Schröder, ou seja, uma compilação simplificada dos rituais de Ditfurth.

Em 1819, Benou, Borie, Caille, Delaroché, Geneux, Pagès e Vassal, dotados de espíritos ecléticos, instalaram em Paris, a Loja des Rigides Observateurs, nas bases da compilação de Ditfurth (1776-1779). Em 1844 houve uma tentativa de fundação de uma Grande Loja Eclética em Paris por Juge, infelizmente,  sem sucesso.

​Além dos países citados, o Sistema da Maçonaria Eclética foi bem sucedido na Polônia, Nápoles, Dinamarca, Itália, Suíça e Espanha (e suas colônias) e em alguns países das Américas. Na Itália e suas colônias, o rito foi praticado por lojas subordinadas ao Grande Oriente D´Itália - GOI nos graus simbólicos. 

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Em Portugal foi compilado um rito denominado de Rito Eclético Lusitano, ou simplesmente, Rito Lusitano, com sete graus (de efêmera duração). Entretanto, essa compilação elaborada por Dr. Miguel António Dias (1805-1878) nada tinha haver com o rito alemão, sua estrutura foi compilada a partir do Rito Francês ou Moderno.

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O Rito Eclético ou Maçonaria Eclética deu origem ao Sistema Retificado, conhecido como Rito da Ordem dos Cavaleiros Benfeitor da Cidade Santa, e também, ao Rito Moderno, Rito Sueco e ao Rito Húngaro, e como já citado, ao Rito de Schroeder, além de influenciar outros sistemas maçônicos.

Em 1872, a Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt reuniu-se com sete Grandes Lojas para constituir a União das Grandes Lojas Alemã (Federação), atualmente, "Grande Loja Unida da Alemanha". Foram as seguintes grandes lojas fundadoras da federação: Grande Loja dos Três Globos; Grande Loja Nacional dos Maçons da Alemanha; Grande Loja da Amizade Royal York; Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja da Saxônia; Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt; Grande Loja do Sol de Bayreuth; Grande Loja de Darmstadt.

O Rito Eclético ainda está em funcionamento na Alemanha, sendo praticado por lojas filiadas a Grande Loja dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha (Großloge der Alten Freien und Angenommenen Maurer von Deutschland - GLAFuAMvD), confederada as Grandes Lojas Unidas da Alemanha (Vereinigte Großlogen von Deutschland - VGLvD).

A Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt (Liga Eclética) tinha tratado de reconhecimento e amizade e correspondência com várias potências maçônicas regulares no mundo, destacando-se em especial,  "O Grande Oriente do Brasil" (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil, Ano 1873, Edição 00001, pg 63; Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, Ano 1878, Edição 00035, pg 518; Boletim do Grande Oriente do Brasil: Jornal Oficial da Maçonaria Brasileira, Publicação Mensal, Ano 1881, Edição 00002; Almanak Laemmert, Ano 1892, Edição B00049, pg 378). Foi nomeado em 1891 como grande representante da Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt junto ao Grande Oriente do Brasil, o maçom João Paulo Hildebrandt (Boletim do Grande Oriente do Brasil: Jornal Oficial da Maçonaria Brasileira, Publicação Mensal, Ano 1891, Edição 00003).

A FUNDAÇÃO DO PRIMEIRO CAPÍTULO DO RITO ECLÉTICO

Os francos-maçons ecléticos percebendo que eram vistos com certo desprezo pelas potências maçônicas, instituíram capítulos e areópagos para estreitar as relações com as potências e lojas estrangeiras.

Em 24 de março de 1784, sabendo da necessidade dos maçons ecléticos explorar os graus filosóficos, Ditfurth propôs reincluir um quarto grau de obrigação no Rito, (este quarto grau teria sido excluído em 1778 por ele de seus rituais) para Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt, não sendo aprovado pela grande assembleia.

Um grupo de maçons resolveu organizar um compêndio para graus filosóficos, sendo escolhidos a partir dos sistemas maçônicos existentes daquela época, graus genuínos que mantinham os princípios da maçonaria especulativa aplicada ao crescimento e à evolução do Homem, com ênfase aos graus de Cavaleiro Rosa-Cruz e Cavaleiro Kadosh (Ditfurth: 1776-1779). Montaram uma biblioteca maçônica com milhares de compêndios de diferentes ritos e seus graus praticados no orbe. Os Filósofos Ecléticos dedicavam-se ao estudo e a pesquisa constante da Ciência, da Filosofia e da Arte Real, um verdadeiro Professorado.

Os maçons ecléticos passaram a adotar em seu sistema filosófico (Capitulo da Liga Eclética) a partir da reforma promulgada em 1812, o Sagrado Arco Real (Liga Eclética: 1811-1812).

A MAÇONARIA ECLÉTICA NO URUGUAI, ARGENTINA E  BRASIL

O RITO ECLÉTICO NO URUGUAI

O Sistema da  Maçonaria Eclética também conhecida como "Rito Azul" foi introduzido no Uruguai em 1882 por Dr. Justino Jimenez de Aréchaga Moratório a partir da cisão que ocorreu no Grande Oriente do Uruguai (atual Grande Loja da Maçonaria do Uruguai). Ele reuniu diversos maçons cientistas, filósofos e poetas liberais para estabelecer a maçonaria liberal republicana na Cisplatina e Rio da Prata.

Partindo dessa premissa, um grupo de estudiosos sob o comando e a direção do Grande Presidente do Conselho dos Ritos, o Irmão Lino Abelino Garcia Arroyo, com espíritos críticos e renovadores desenvolveram um novo sistema maçônico a ser seguido pelas lojas do Grande Oriente da Republica Oriental do Uruguai (Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay - GOROU) a partir do signo do ecletismo alemão. Este grupo analisou todos os pontos da maçonaria regular, extraindo dela a essência tradicional da maçonaria especulativa, reduzindo seus inúmeros graus em um único compêndio maçônico.

Para atender o novo sistema maçônico compilado, Dr. Jiménez mandou separar da estrutura do Grande Oriente da Republica Oriental do Uruguai - GOROU (Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay - GOROU) os graus simbólicos dos graus filosóficos, alterou os arts. 83, 84 e 85 do Código Maçônico promulgado e aprovado em 04 de maio de 1882, visando seguir a determinação do Congresso de Lausanne de 1875 (uma Grande Loja ou um Grande Oriente administraria os graus simbólicos enquanto os graus filosóficos seriam administrados por um alto corpo, o Supremo ou Conselho). Logo após a reestruturação do Grande Oriente, Dr. Jimenez, com o apoio do Grande Oriente Brasileiro, constituiu um alto corpo para atender a maçonaria filosófica uruguaia: O Grande Capitulo do Rito Eclético (Gran Capítulo del Rito Ecléctico) com onze graus. Esse alto corpo foi instalado e consagrado em 1883 pelo Mui Poderoso Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro. Seu primeiro presidente foi o Irmão Rufino Pedro Ravìa Gonzalez, sucedido pelo Irmão Lino Abelino Garcia Arroyo. 

Além das lojas sob obediência do GOROU, também existiam outras que praticavam o Rito Eclético no Uruguai, subordinadas a potências estrangeiras, a exemplo, as Logias "Justicia" (oriente de Cardona) e "Restauración" (fundada em 19 de maio de 1856, no oriente de Cerro Largo - 2º fase: reerguida no Rito Eclético).

Adolfo Vásquez Gómez, residindo no Uruguai, fundou e instalou em 18 de dezembro de 1894, em Montevidéu, a Respeitável Loja "Emancipacíon", Rito Eclético, com a participação de vários maçons liberais republicanos. Esta loja trabalhava com quatro graus, ou seja, Aprendiz Registrado, Companheiro de Oficio, Mestre Maçom e Past-Master Eclético (equivalente ao Grau 33 do REAA) subordinada à Grande Loja Simbólica Espanhola.

O RITO ECLÉTICO NA ARGENTINA

O Rito Eclético foi instalado oficialmente na Argentina em 1866, com a fundação da Respeitável Loja "Itália" em Bueno Aires, sob os auspícios do Grande Oriente D´Italia - GOI. Essa loja foi regularizada em 1867 (noticiado na Revista della Massoneria Italiana,  1880-1881). Em 1874 o Grande Oriente D´Italia reconheceu o Grande Oriente da Republica Argentino e seu Supremo Conselho, com a condição que mesmos reconhecesse a Loja Itália e o Rito Eclético em solo argentino (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil: Jornal Official da Maçonaria Brazileira, ano 1874, ed. 00001-00003, pg. 81). Ainda em 1876, foi fundada em Buenos Aires, mais uma loja da maçonaria eclética, denominada  de Loja "Unione Italiana II". No mesmo ano, as Lojas "Itália", "Obbdienza alla Lege II" e a "Unione Italiana" se fundiram, passando a ter cerca de 600 francos-maçons ecléticos. Em 1884, houve uma cisão, a Loja "Itália" se separou da Loja "Unione Italiana", passando a ter 115 membros em seu quadro. 

Foi fundada em 1876 a Loja "Garibaldi", em Bueno Aires, sob os auspícios do Gran Oriente da Republica Argentina. Esta loja foi regularizada em 17 de abril de 1877, tendo como seu Venerável Mestre, o Irmão Carlos Urien, (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil: Jornal Official da Maçonaria Brazileira, Ano 1876, Ed. 00005-00008, Pg. 659). Ainda no mesmo Boletim informa que foi fundada uma segunda Loja do mesmo circulo com titulo distintivo de "Rivadavia", no mesmo rito e no mesmo oriente.

De acordo com os boletins do Grande Oriente Ibérico e do Grande Oriente Espanhol, arquivados na biblioteca da Espanha, foi fundada ainda em 1877 a Loja "Alemana Deustchland", em Buenos Aires, ou seja, a quarta loja do Rito Eclético, possivelmente, subordinada a Grande Loja da Federação Eclética de Frankfurt.

A FUNDAÇÃO DA GRANDE LOJA PROVINCIAL BONAERENSE

Os representantes das lojas maçônicas Bragado, San Antônio de Areco, 9 de Julio, Zárate, Las Flores, San Andrés de Giles, Azul, Olavarría, Lavalle, Luz y Verdad, La Plata e Stretta Uguaglianza formaram em 01 de novembro de 1890, uma confederação de lojas (Liga Maçônica Argentina) com o intuito de fundar uma grande loja provincial no Rito Eclético. Em 01 de dezembro de 1891, sob o comando e direção do Dr. Enrique Martín de Santa Olalla, foi fundada e instalada a Grande Loja Provincial Bonaerense, tendo como seu primeiro Grão-Mestre, o Dr. Dámaso E. Uribúru. A Grande Loja Bonaerense trabalhava exclusivamente no Rito Eclético, conhecido também como Rito Eclético Cientifico (com suas particularidades próprias), compilado por Dr. Enrique de Santa Olalla a partir dos antigos rituais de Barão de Ditfurth, com quatro graus (Aprendiz Registrado, Companheiro de Oficio, Mestre Maçom e Past-Master Eclético). Essa potência foi reconhecida pelo Grande Oriente Espanhol e pela Grande Loja Simbólica Espanhola além de outras potências regulares.

Foi instalado e consagrado em 10 de setembro de 1894, o Supremo Conselho do Rito Eclético Cientifico (Supremo Consejo del Rito Ecléctico Cientifico), um corpo autônomo e independente em Buenos Aires, formados por maçons do grau 33 (El Intransigente, ano 1894, ed. 18).

A Maçonaria Eclética continuou sua trajetória na Argentina com a fundação do Grande Oriente Argentino do Rito Azul (Gran Oriente Argentino del Rito Azul) em 1902. sendo que muitas das 190 lojas deste praticavam o Rito Eclético nos três graus simbólicos (Boletins Oficial do Grande Oriente Espanhol: 1900-1916).

O RITO ECLÉTICO NO BRASIL

Consta nos anais da historia brasileira que o Rito Eclético esteve presente no país desde 04 de agosto de 1876, (com a imigração para o Brasil de estimadamente 14.325 alemães entre 1872-1879),  quando da instalação da Corporação Eclética do Brasil, possivelmente ligada a Grande Loja da Maçonaria Eclética de Frankfurt que tinha relações de mutuo amizade com o Grande Oriente do Brasil (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil, Ano 1873, Edição 00001, pg 63; Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, Ano 1878, Edição 00035, pg 518; Boletim do Grande Oriente do Brasil: Jornal Official da Maçonaria Brasileira, Publicação Mensal, Ano 1881, Edição 00002; Almanak Laemmert, Ano 1892, Edição B00049, pg 378). Essa instituição tinha sua sede instalada a Rua General Câmara, 244, Rio de Janeiro, sendo transferida em 1892 para a Rua do Hospício, 200. No mesmo ano mudou sua denominação social para Confederação Eclética do Brasil. De acordo com os jornais da época a Corporação Eclética funcionou no Brasil entre 1876 a 1908 (Almanak Laemmert, Administrativo, Mercantil e Industrial: Ano 1903, Edição A00060; Ano 1908, Edição A00065). Consta o registro de sua constituição no Diário Oficial publicado em 1906 (Diário Oficial, Ano XLV — 18º da República — nº 109). Acreditamos que a citada instituição encerrou suas atividades por volta de 1908.

A Maçonaria Simbólica do Rito Eclética foi introduzida no Brasil pelo Conselheiro Gaspar da Silveira Martins (Departamento de Cerro Largo, 5 de agosto de 1835 - Montevidéu, 23 de julho de 1901), no Rio Grande do Sul em 1892, quando voltou do exilio da Europa. Relata-se que o Silveira Martins, dotado de um Espirito Eclético elevadíssimo, com a colaboração dos generais Gumercindo Saraiva da Rosa (Arroio Grande, 13 de janeiro de 1852 - Carovi - Capão do Cipó, 10 de agosto de 1894), Aparício Saraiva da Rosa (Santa Clara de Olimar, à época pertencente ao departamento de Cerro Largo, atualmente de Treinta y Três, Uruguai  - 16 de agosto de 1856  - Santana do Livramento, Brasil, 10 de setembro de 1904) e João Nunes da Silva Tavares (Barão de Itaqui: Herval, 24 de maio de 1818 - Bagé, 09 de janeiro de 1906), instalou nas trincheiras dos Maragatos, Cerro Largo, Bagé e Piratini, as lojas: Restauracion (loja-mãe da maçonaria de Cerro Largo, fundada em 19 de maio de 1856, subordinada inicialmente ao Gran Oriente do Uruguai); Liberdade e Honra; Proctetora da Pátria; e, Estrella da Liberdade. Estas lojas foram a base da Revolução Federalista (1893-1895).

Com o falecimento do General Gumercindo e com o retorno de Silveira Martins para Montevidéu, o Rito Eclético teve efêmera duração na Republica Federativa do Brasil. As lojas ecléticas brasileiras foram suprimidas pelo Rito Escocês Antigo e Aceito e outras adormecidas. O rito era conhecido por muitos maçons do sul do país como o Rito dos Gasparistas (apelido dado pelos pica-paus ou chimangos gobianos da época).

A ESTRUTURA DA MAÇONARIA ECLÉTICA

O RITO ECLÉTICO

A estrutura da Maçonaria Eclética também conhecido como Rito Azul foi organizada em três graus simbólicos (Ditfurth: 1776-1779), e destes, elevam-se a seis graus filosóficos extraídos da genuína maçonaria especulativa, sendo classificados em seis classes distintas: Loja Simbólica ou de São João; Capitulo do Sagrado Arco Real; Câmara Perfeição Eclética; Sublime Capitulo Eclético de Maçons Rosa-Cruzes; Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh; Soberano Concílio.

A MAÇONARIA ECLÉTICA SIMBÓLICA OU MAÇONARIA DE SÃO JOÃO

No regime eclético a base principal são os graus simbólicos, que compreendem nos três primeiros denominados de: Aprendiz, Companheiro e Mestre. 

1ª Classe - Loja Simbólica ou de São João

Grau 1 - Aprendiz Maçom

Grau 2 - Companheiro Maçom

Grau 3 - Mestre Maçom

A MAÇONARIA ECLÉTICA FILOSÓFICA

A estrutura filosófica do Rito Eclético compreende em: Capitulo do Sagrado Arco Real; Câmara Perfeição Eclética; Sublime Capitulo Eclético de Maçons Rosa-Cruzes; Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh; Soberano Concílio; que são designados, genericamente, de Oficinas Litúrgicas. No Rito Eclético tem destaque especial os graus do "Arco Real" (Liga Eclética: 1811-1812), "Cavaleiros Rosa-Cruz" e "Cavaleiros Kadosh (Ditfurth: 1776-1779) .

 

2ª Classe – Capitulo do Sagrado Arco Real

Grau 4 - Mestre de Marca

Grau 5 - Mestre do Arco Real

3ª Classe – Câmara Perfeição Eclética

Grau 6 - Filósofo do Triangulo Perfeito ou Perfeito e Sublime Maçom

4ª Classe - Sublime Capitulo Eclético de Maçons Rosa-Cruzes

Grau 7 - Soberano Príncipe Rosa-Cruz

5ª Classe – Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh

Grau 8 - Cavaleiro Kadosh de Heredom ou Grande Filósofo Eclético de Heredom

6ª Classe – Soberano Concílio

Grau 9 – Grande Inspetor Geral ou Grande Sábio Mestre do Triângulo Perfeito